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O caminho de Santiago

A natureza humana tem lá suas manias, mas não se pode culpar a índole por todos os males que assolam a sociedade. Pessoas desarrazoadas, por mais simpáticas que sejam, também disseminam a mentira e a violência. 

Se meu ex-colega de faculdade Santiago Lourenço tivesse usado a razão para criticar um artigo puramente analítico que escrevi, teria se saído melhor.

Santiago Lourenço é apresentador do Programa do Povo, veiculado pela TV Mix, cujo proprietário é o candidato a prefeito de Limeira Lusenrique Quintal. 

Disseram-me, ontem, que o camarada Santiago ficou enfurecido com o artigo “A TV de Limeira”, publicado domingo pelo Jornal de Limeira no suplemento Jornal da TV, e partiu para a ofensa pessoal.

Entre outras coisas, ele teria dito que sou “cachaceiro” e que vivia pedindo dinheiro pra comprar lanche na faculdade porque era um pobretão.

Lamento que Santiago tenha enveredado pelo caminho da ofensa. Gosto muito dele, é um bom companheiro de copo e sempre teve um conversa agradável, descontraída. 

O tom extremamente crítico talvez não conseguido despertar Santiago para o real objetivo do artigo: a autocrítica, tanto do telespectador como do apresentador. Nesse sentido, posso dizer que atirei pérolas aos porcos, a exemplo do que está escrito no versículo 6 do capítulo 7 do Evangelho de São Mateus.

Apesar da analogia cristã, não arrogo o direito de me fazer arauto da linguagem jornalística – mesmo acreditando que qualquer pessoa pode exercer sua capacidade crítica como bem lhe aprouver e como permitirem seus horizontes – simplesmente porque também sou bastante falho e aprecio muito mais modelos alternativos de divulgar informações - como livros, gibis, cinema e música – do que o estático hard news.

Enfim, nada de novo sob o sol.

Santiago quis dizer que exagero na bebida e, por isso, não sou digno de credibilidade. Devo confessar que também tenho minhas dúvidas. Conflitos espirituais, por assim dizer. Quem não os tem? Somente os desprovidos da matéria-prima para a reflexão: o pensamento.

Quanto ao meu gosto pela cachaça, não acho que isso chegue a ser novidade pra muita gente. Nem que seja assim, tão desabonador. Bêbado, escrevo e falo com muito mais propriedade que muito apresentador de TV.

Bom, mas não façamos disso um cabo-de-guerra, como recentemente presenciamos entre funcionários das duas televisões de Limeira.

Não vale a pena.   

Melhor só esclarecer, até para Santiago Lourenço ter mais elementos para uma boa argumentação. Mordaz, de preferência, que aí o papo fica interessante.    

Mas por que motivo eu forneceria projéteis para a arma que pretende me derrubar? Simples: para expiar minhas culpas. Eu já deveria ter escrito o artigo há muito tempo. Fui omisso. Por isso, um castigo de quem me detesta é bem-vindo.  

Também quero testar minha capacidade de ser democrático e de manter a fleuma após receber uma saraivada de ofensas pessoais. 

Então, esclareço. Na faculdade, é verdade, eu tinha pouco dinheiro. Mas tinha. A partir do segundo semestre de 1996, quando fui agraciado com um emprego no Jornal de Limeira.

Eu estava sem trabalho no primeiro semestre. No final, comuniquei a alguns amigos, entre eles o dr. Joaquim Nogueira da Cruz Neto, ex-secretário da Saúde, que deixaria a faculdade. Alguns dias depois, ele se ofereceu para pagar o que eu devia na Unimep. E eu aceitei, porque queria continuar estudando.

Sinto falta do dr. Joaquim. Quando ele morreu, o baque foi grande. Devo a ele minha fé no estudo e no trabalho, devo a ele a compreensão de fatos que só agora se tornaram claros para mim.  

Santiago, que estudava na mesma classe que eu, esqueceu de dizer que fiz trabalhos de faculdade para o Geraldo Luis, apresentador da TV Record. Poderia reforçar a tese de que sou contraditório (ou oportunista), pois já critiquei o Balanço Geral também no suplemento de TV do Jornal de Limeira. 

Alguns podem questionar por que raios faço críticas à programação de TV se não sou um dos chamados “especialistas”? Outra resposta simples: por que motivo eu haveria de me privar do direito de ter opinião se me sinto incluído na dinâmica social que atinge diretamente meus interesses e meus conceitos? Por que diabos eu deveria me sentir menos apto do que qualquer um, se defendo o intransigentemente o direito à liberdade de expressão sob quaisquer circunstâncias? Não haveria contradição maior do que adotar a política da boa vizinhança se acredito no poder do argumento e do debate, por mais dolorosos que sejam? Cercear o próprio pensamento também me parece uma covardia.

Pois bem, Santiago também poderia me criticar por ter me tornado um sedentário, situação execrada pela moralidade burguesa destes tempos de culto à boa forma física. Pode citar que sou gordo (inclusive abusar de adjetivos com alta carga pejorativa, como bolão, barrigudo, saco de banha, para não perder a linha de seu programa), careca e míope (oito graus, fundo de garrafa). Olha só, que vasto material para a depreciação total e irrestrita!

Gostaria de esclarecer que usei “a hora da pizza” apenas para exemplificar uma situação. E que citei o nome antigo “Hora do Povo”, para tornar mais claro meu raciocínio sobre as similaridades entre um programa e outro. Pelo jeito, não consegui.

Por fim, tenho a declarar para o leitor deste Blog Banzeiro, que de maneira nenhuma tenho nada pessoal contra qualquer pessoa da TV Mix. Muito pelo contrário. Tenho lá amigos do mais alto gabarito intelectual e profissional. Como o jornalista Alessandro Rios, por exemplo. Um apresentador sério, de credibilidade inegável e capacidade de discernimento indiscutível.

Santiago poderia aproveitar a presença de um profissional de alto nível como Alessandro e pedir alguns conselhos. Mas aí é uma questão de foro íntimo e prefiro não emitir opinião sobre isso.

Minha opinião continua a mesma que foi publicada no suplemento Jornal da TV. Acho que o programa e o apresentador carecem de mais substância, mesmo que o velho bordão “popular” seja o mote para justificar matérias sobre brigas de pregadores evangélicos na praça.

Leitor do Banzeiro, saiba que minha fé no ser humano continua inabalável. Jamais deixarei de procurar aplicar na realidade o que meus pais me ensinaram ainda no berço: amor, respeito e alegria.



Escrito por cristiano às 11h59
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Os Ombros Suportam O Mundo

 

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.

Tempo de absoluta depuração.

Tempo em que não se diz mais: meu amor.

Porque o amor resultou inútil.

E os olhos não choram.

E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

E o coração está seco.

 

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

És todo certeza, já não sabes sofrer.

E nada esperas de teus amigos.

 

Pouco importa venha velhice, que é a velhice?

Teus ombros suportam o mundo

e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios

provam apenas que a vida prossegue

e nem todos se libertaram ainda.

 

Alguns, achando bárbaro o espetáculo,

prefeririam (os delicados) morrer.

Chegou um tempo em que não adianta morrer.

Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.

A vida apenas, sem mistificação.

 

(Carlos Drummond de Andrade)

 

Muitos poemas de Drummond funcionam como denúncia da opressão que marcou o período da Segunda Grande Guerra. A temática social, resultante de uma visão dolorosa e penetrante da realidade, predomina em Sentimento do mundo (1940) e A rosa do povo (1945), obras que não fogem a uma tendência observável em todo o mundo, na época: a literatura comprometida com a denúncia da ascensão do nazi-fascismo.

A consciência do tenso momento histórico produz a indagação filosófica sobre o sentido da vida, pergunta para a qual o poeta só encontra uma resposta pessimista.

O passado ressurge muitas vezes na poesia de Drummond e sempre como antítese para uma realidade presente. A terra natal - ltabira - transforma-se então no símbolo da atmosfera cultural e afetiva vivida pelo poeta. Nos primeiros livros, a ironia predominava na observação desse passado; mais tarde, o que vale são as impressões gravadas na memória. Transformar essas impressões em poemas significa reinterpretar o passado com novos olhos. O tom agora é afetuoso, não mais irônico. 

Da análise de sua experiência individual, da convivência com outros homens e do momento histórico, resulta a constatação de que o ser humano luta sempre para sair do isolamento, da solidão. Neste contexto questiona-se a existência de Deus.

 

http://www.culturabrasil.pro.br/cda.htm 



Escrito por cristiano às 22h37
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Quero sonhar com passos vagarosos

lentamentamente correr os olhos

pelos arredores

e sentir a brisa fresca da manhã pachorrenta

entrelaçar as idéias soltas que vagam,

cantam, dançam e sorriem.

 

Quero mitificar este momento,

engatar uma conversa despretensiosa,

apreciar o perfume de uma rosa;

uma não: duas, três, quatro...

porque tenho tempo para perder com o que não parece importante.

 

Quero ver seus olhos, seus lábios, seu suspiro

esperando calmamente

o despertar da consciência universal,

a brincadeira espiritual

que alimenta as manhãs

que ninguém mais consegue enxergar.

 

Esta festa silenciosa dentro de meu coração

é o sinal que preciso para continuar

caminhando devagar,

apreciando a paisagem.

 

 

 

 



Escrito por cristiano às 08h03
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Ninguém está à porta do futuro

Vivemos um hoje tenebroso.

 

Hoje, se você disser que é comunista, será tratado como um débil mental. 

 

Hoje, se você fugir do lugar-comum, será tachado de pretensioso.

 

Hoje, se você procurar dizer a verdade, será considerado um otário.

 

Hoje, se você atribuir a existência do ser humano ao acaso correrá o risco de ser execrado em praça pública.

 

Hoje, se você quiser ser aprovado como poeta, tem que escrever versos claros, objetivos e informativos. Hoje se criou a aberração chamada estrofe jornalística.

 

Hoje, se você discordar de alguém, tem que estar preparado para ser combatido pela vaidade ferida e não pelo poder dos argumentos.

 

Hoje, se você questionar o poder da mídia, ganhará o status de censor.

 

Hoje, se você quiser reunir pessoas para realizar um protesto, trate de buscar patrocínio.  

 

Hoje é um dia tenebroso. Cinza, com ruídos semelhantes a conversas se arrastando nos becos, músicas que não podem ser ouvidas em todos os lugares.

 

Hoje, você escolhe: ou reage ou rasteja.

 



Escrito por cristiano às 00h48
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A morada do amor

Resplandeceu o fulgor solar como espada sabiamente manuseada

na mata indócil de exuberante carmesim

dourando as pétalas liquefeitas

das flores suaves cujo perfume radiante

fez transcender o canto terreno

através das eras.

 

Emergiu do profundo mistério

que percorre freneticamente as paredes

guardadas milenarmente sob a égide  

da incandescência natural

a libertação,

o riso

e o compartilhamento.



Escrito por cristiano às 00h54
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O TRANSPORTE COLETIVO DE LIMEIRA É UMA LÁSTIMA!

Achei bastante interessante a matéria que o Jornal de Limeira publicou hoje sobre o transporte coletivo da cidade.

Fiquei estimulado a relatar minha experiência, não como usuário de apenas um dia, mas de segunda a sábado e, às vezes, também no domingo.

Nunca tive carro, por isso vou de um lugar a outro de ônibus. Nos 15 anos que moro em Limeira, percorri praticamente todos os bairros. Para ir a casa de amigos e parentes, namorar, trabalhar, estudar, fazer compras, passear, ir a hospitais, visitar lugares.   

Para resumir a história, digo com a certeza de quem já passou os mais absurdos episódios dentro de um ônibus de linha – da Viação Limeirense ou da Rápido Sudeste – O TRANSPORTE COLETIVO DE LIMEIRA É UMA LÁSTIMA!

O povo é tratado como gado, os horários são confusos, os itinerários pouco eficientes, a tarifa é cara.

E os ônibus? Terríveis. Em sua maioria, os veículos são verdadeiras banheiras. Desconfortáveis, fedorentos, ultrapassados, cheios de problemas mecânicos.

Nos ônibus com assentos de plástico, o risco de quebrar o quadril é grande. Isso porque muitos motoristas passam pelas lombadas como se estivessem no Rali dos Sertões. Se o banco é aquele mais engraçadinho, com encosto gigante e assento macio, você corre o risco de escorregar pra fora do ônibus. E ainda tem os bancos com braço que, pra barrigudos como eu, tornam-se apenas objeto de desejo.   

Já viajei das proximidades do Shopping Fantasma até o Centro com passagem pelo Santa Eulália. Peguei um carro da Rápido Sudeste. Tremia e guinchava tanto que deu a impressão que se desmancharia no meio da rua.

Normalmente, para ir trabalhar no Jornal de Limeira, tomo ônibus na frente do Supermercado Covabra. Aprendi a chegar meia hora antes dos horários supostamente pré-determinados. Para voltar é pior ainda. Um dia tem 15 minutos de atraso, no outro 20 e, às vezes, até 40. Se chover, a situação é totalmente imprevisível.

No itinerário do Linha 6, que liga o Nossa Senhora das Dores ao Jardim Novo Horizonte (e isso é realmente uma viagem, meu amigo), já vi coisas do arco da velha, como diria aquele senhor que aprendeu a observar em silêncio as desgraças cotidianas. Certa feita, o ônibus verde e branco da Limeirense simplesmente quebrou três vezes. Um dos motoristas, que dada a convivência diária, já se tornou meu amigo, argumentou em tom de súplica:

_ Essa linha tem só tem carro péssimo. E pra piorar, neste caso, não colocaram água suficiente. O motor estava prestes a fundir. Viu a fumaceira? Então.

_ É complicado, mesmo. Tô ligado – conforteio-o.

Não meu amigo, eu não relataria o caso nas páginas do Jornal de Limeira. Até porque já havia feito isso sobre outro assunto: a demência temporária dos motoristas.

Aconteceu quando peguei o busão no ponto da Praça Valdir Salviatti, no Jardim Nova Itália. Eu iria até o centro da cidade. Na verdade, todos nós, passageiros com síndrome de massa de manobra, conseguimos chegar. Vivos, não sei como. Talvez por milagre.

No meio do caminho, um motoboy cortou a frente do ônibus e foi perseguido pelo motorista da minhoca de metal. Deu a maior confusão. O motorista do ônibus parou o veículo duas vezes. Na primeira, só xingou. Na segunda, desceu do ônibus e partiu pra cima do motoboy. Foi contido por guardas municipais.

Em geral, os motoristas são legais. Tornam-se praticamente uma pessoa da família. Você vê os caras todos os dias, eles o levam até onde você quer, às vezes falta uma moeda e deixam compensar no outro dia, e por aí vai. Vida de pobre. Tem que ter traquejo.

MAS O TRANSPORTE COLETIVO DE LIMEIRA É UMA LÁSTIMA!

Detona o motorista e tortura o passageiro.

Experimente tomar certos ônibus na Praça do Museu. Nem precisa ser nos horários de pico. Dá impressão de ser uma grande suruba confinada numa lata de sardinha. O Linha 11B da Limeirense, por exemplo, além de demorado pra cacete – só passa a cada 40 minutos – geralmente vai lotado para os lados do Jardim do Lago. Quando estou no centro e vou para o Jornal de Limeira, eu pego essa degraça de rodas.

E pra esperar a minhocona doida? Já viu os pontos? Na Praça do Museu, dependendo do lado, você tem a impressão que caiu uma bomba no local. Bancos detonados, calçadas esburacadas e cobertura inútil, que não protege nada. Quem será que foi o gênio que projetou toda essa mercadoria? 

Após tantos anos chacoalhando dentro destes monstros barulhentos, desconfortáveis e lentos como a mente de nossos políticos, cheguei à conclusão que não quero mais sofrer.

Mesmo odiando dirigir – principalmente porque tenho dificuldades de concentração – estou providenciando uma carteira de habilitação. Logo, estarei com um veículo nas mãos. Mesmo que seja um fusca 68 detonado. Qualquer coisa é melhor do que essa LÁSTIMA DE TRANSPORTE COLETIVO DE LIMEIRA!

Parece até praga.

Nego fatura alto e a cidade tem esse monte de ferro-velho circulando de uma ponta à outra.

Mas nem sempre é assim. Pegue um busão na Avenida Campinas com intenção de ir até o Centro. Vai demorar. Só que virá uma máquina legal. Com bancos macios e motor que não solta fumaça nem grita feito um porco sendo capado.

É pra galerinha mais chique, talvez. Estudantes, gente que trabalha no centro, profissionais liberais, jornalistas...

Quando eu tiver paciência e tempo, vou relatar as histórias que colhi durante os milhares de trajetos que já fiz dentro de um ônibus. Tem coisa de arrepiar o cabelo.

Por enquanto, quero só dizer que o TRANSPORTE COLETIVO DE LIMEIRA É UMA LÁSTIMA! E a tarifa é R$ 2. Pode um negócio desses? E tem gente que acha normal... 



Escrito por cristiano às 08h06
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Plinío Marcos: remédio para o formalismo carcomido

_ Papai, descobri minha vocação. Vou ser poeta.

O pai tem um chilique e convoca os outros diabos da redondezas. É claro que eles não vêm de chifre, rabo, pé de cabra e cheirando a enxofre. Vêm com cara de mãe, avô, professor, sacerdote, médico, psicólogo. Um inferno. Tentam incutir o pavor do futuro no garoto.

_ Poeta morre de fome.

_ Poeta se fode. Só se fode.

_ Poeta é bicha.

 

Este é um trecho de um livro do dramaturgo Plínio Marcos chamado Prisioneiro de Uma Canção.

O livro é uma espécie de desabafo lírico sobre as distorções da concepção de sociedade dita democrática. Foi escrito na década de 70 em formato tosco. Pelo menos, o exemplar que eu tenho é desse jeito.

Se alguém quiser, está ferrado. É difícil achar. Eu procurei em diversos sebos. E encontrei por obra e graça de Nosso Senhor.

A busca pelo pão de cada dia e os conflitos espirituais deflagrados a partir de uma reflexão sobre o que é verdadeiro nas relações humanas em tempos de liberdade vigiada é ponto de partida para a descrição de várias situações reais e chocantes.

Um vômito.

Um vômito poético, cheio de sensibilidade e esforço para compreensão das fraquezas humanas. Ainda bem, a refutação do determinismo sem apelar para dogmas fáceis de teorias aparentemente desprovidas de contradição.      

Desculpem-me, não posso ir além disso nesta resenha porque estou me transformando num vaso grego.   

    



Escrito por cristiano às 21h53
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Guitarrista do Queen conclui doutorado em astronomia

O guitarrista do Queen, Brian Harold May, concluiu seu doutorado em astronomia com uma tese sobre a luz zodiacal, já publicada em livro. May havia interrompido os estudos nos anos 70 para se dedicar ao rock, mas retomou a tese desenvolvida no Observatório do Teide e Izana, na ilha de Tenerife, nas ilhas Canárias. "É extremamente gratificante ver a minha tese publicada", disse o britânico Brian May.

A luz zodiacal, tema de seu estudo, é uma fraca luminosidade visível no céu ocidental. O melhor período para observá-la é na primavera, depois que as luzes do pôr do sol desapareceram completamente. Trata-se do reflexo da luz solar nas partículas de pó presentes no plano do sistema solar. "Estou feliz por ter passado a minha vida tocando com o Queen, mas é extremamente gratificante ver a minha tese publicada", declarou May.

A tese "Estudo sobre as velocidades radiais do pó zodiacal" foi concluída no ano passado e se baseia na documentação recolhida pelo músico sobre a luz zodiacal nos anos 1971-72, no observatório de Tenerife.

 



Escrito por cristiano às 19h17
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Uma canção para Hannah

O velho Jaguar percorre as ruas desertas do centro encardido. Passa serpenteando lentamente por placas de publicidade e pinturas comerciais. Hannah manobra o volante com a mão direita e segura uma latinha de Skol com a esquerda. Vai deslizando pernosticamente no asfalto mole a 40 Km/h. Tem os olhos semicerrados e os cabelos louros colados à testa.  O rádio toca um velho rock, o rádio também velho. Talvez seja  folk a música que ela ouve com uma espécie de pseudonostalgia. Possivelmente lembranças de um passado milenar. 

Nada aqui, nada ali.

Um homem de cabeça prateada e barriga bastante saliente caminha ajeitando os óculos escuros na calçada que o convida a tropeçar. Encara Hannah por um segundo depois foge lépido como um coelho assustado.

Deus está roncando.

O diabo saiu para comprar cigarros.

Hannah atira a lata vazia. O meio-fio parece o limite de uma vida.

O sol não diz nada nem as árvores.

O Jaguar roda comprimindo pedriscos que escapam da pressão da borracha quando os pneus mudam de direção. O dia está embaçado, o vapor que sobe do asfalto imprime garatujas no rosto macilento do ar.

Hannah pára pra comprar cerveja num bar. Dois sujeitos numa mesa a medem dos pés à cabeça. Um franze a sobrancelha e faz qualquer comentário com o companheiro de copo. O tênis de Hannah silva no soalho do boteco. Ela coloca o dinheiro amassado sobre o balcão e vira as costas para o sorriso irônico do balconista. Enxuga a mão na camisa branca e está abrindo a porta do carro quando ouve um assobio.

_ Ô moça! Não quer conversar um pouco com a gente? Ninguém tem nada pra fazer mesmo...

É um dos caras sentados à mesa de plástico amarelo.

_ Não, obrigado - diz secamente.

Hannah entra no Jaguar e vai embora. Não sabe para onde.    



Escrito por cristiano às 14h31
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Bezerra da Silva faz bem pra memória

Por falta de pagamento e greve dos carteiros vou deixar de acompanhar a programação da TV Sky. O boleto não chegou em casa e eu gastei o dinheiro reservado para a programação via satélite. Mas até sábado, o bagulho ainda funciona. E é por causa do bagulho mesmo que vou pregar os olhos na tela, sexta-feira.

O canal de shows da Sky vai transmitir uma apresentação pra lá de sensacional do mestre Bezerra da Silva.

Fui assistir ao show do Bezerra em Limeira. Há uns dez anos, ele subiu ao palco do extinto Bem Bolado.

O Bem Bolado foi uma casa de espetáculos, digamos, emblemática na cidade.

Bezerra tinha o apoio expressivo de seu coral. A voz dele já não era tão poderosa como dantes.

Dois amigos meus da faculdade – também fãs de Bezerra da Silva - me acompanharam nesta empreitada.

Os dois, praticantes do culto à marijuana, diamba, erva maldita, natinhola, madeira, pau que solta fumaça, mato verde, mary jane, bhang la, etc, ficaram estupefatos quando o Malandro começou a atirar para o público umas embalagens de plástico bem fechadas, até bonitinhas.    

Era o bagulho, maluco!

Eu que nunca fumei um beck por opção puramente ideológica, achei que o Bezerra tinha enlouquecido. Mas quando vi um segurança enfiando cannabis sativa no bolso, fiquei descansado. Ninguém seria levado para averiguação naquele dia.

Como não sou estraga prazer de ninguém, deixei meus comentários sobre a importância de se manter alerta nesta selva para depois. E logo Bezerra mandou ver neste som:

 

   

A Fumaça Já Subiu Pra Cuca

 

Malandro é malandro,

mané é mané!

Aí doutor esse malandro é de verdade

não sobrou nem a piaba.

 

Não tem flagrante porque a fumaça já subiu pra cuca

Deixando os tiras na maior sinuca

E a malandragem sem nada entender

Os federais queriam o bagulho e sentou a mamona na rapaziada

Só porque o safado de antena ligada ligou 190 para aparecer.

 

Já era amizade

Quem apertou, queimou já está feito

Se não tiver a prova do flagrante, os autos do inquérito ficam sem efeito

Quem pergunta quer sempre a resposta

E quem tem boca responde o que quer

Não é só pau e folha que soltam fumaça

Nariz de malandro não é chaminé

Tem nego que dança até de careta

Porque fica marcando bobeira

Quando a malandragem é perfeita, ela queima o bagulho e sacode poeira

Se quiser me levar eu vou, nesse flagrante forjado eu vou

Mas, na frente do homem da capa preta é que a gente vai saber quem foi que errou

Se quiser me levar eu vou, nesse flagrante forjado eu vou

Mas é na frente do homem que bate o martelo é que a gente vai saber quem foi que errou.

 

No final da festa, meus camaradas, dois jornalistas em formação – mas que depois foram trabalhar com música e cinema – conversavam animadamente sobre o congraçamento entre o morro e o asfalto.

 

_ Meu, “Se segura malandro” também pode ser interpretado à luz desta perspicácia trabalhada no ventre da besta e tão claramente exposta pelo Bezerra.

 

“Se segura malandro” é um filme de Hugo Carvana, feito depois de “Vai trabalhar vagabundo”. A trilha sonora é de Chico Buarque e Aldir Blanc.

 

O outro responde, com desalento:

 

_ E pensar que amanhã tem aula de Técnicas de pesquisa II com a Regina...   



Escrito por cristiano às 10h57
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Agradecimentos

Quero agradecer os comentários de três grandes amigos, destes que toleram as mais pavorosas indiscrições - e olha que quando acontece de eu ser indiscreto, o negócio é brabo.

Agradeço ao jornalista Carlos Chinellato, Editor-Executivo do Jornal de Limeira, detentor absoluto do título de jornalista mais lúcido desta cidade e quiçá, da região. Está em falta, hoje em dia, homens de mente arejada e disposição para a luta como o Carlos. Tenho orgulho de chamá-lo de meu amigo.

Agradeço ao jornalista Paulo Corrêa, moço de visão ampla e feroz defensor das liberdades individuais. Um verdadeiro idealista, batalhador, que aprimora seus conhecimentos a cada dia. Só posso dizer que não vejo limites para o Paulo.

Agradeço ao professor Fábio Shiraga, pessoa mui afável, companheiro para qualquer hora, cavalheiro daqueles que não se encontram mais em lugar nenhum. Uma mente resplandecente, uma orquídea nascida dos grotões da mais inóspita selva.

Agradeço o privilégio de me permitirem ser amigo de vocês. 

 



Escrito por cristiano às 22h59
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A supremacia Bourne

http://br.youtube.com/watch?v=5q8hAzivUk4

Escrito por cristiano às 14h01
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Eu sou a mosca na sopa

Meu nome é cachorro. Ontem me caguei de tanto abanar o rabo. Hoje, só babo. E nabo. Comi a ração. Bebi da bênção que meu papai me concedeu com amor. Fiquei ganindo na madrugada fria. De manhã o sol raiou. Deitei e rolei. Papai apareceu. Me entorpeci com seu afeto. Tomei café da manhã na tigela limpa. Babei de satisfação.

Meu nome é cobra. Serpente venenosa. Me mordi e agora me mastigo. Morro e ressuscito a todo momento.

Meu nome é samambaia. Não saio do lugar, mas sirvo como enfeite.

Meu nome é João. Tomo leite e como pão. Todos os dias. Pra mim tá bão.

Meu nome é candidato. Minto como o diabo e tenho uma legião de fãs. Sou adorado, respeitado, temido e odiado. No fim, a grana sempre aparece. Grana é o que interessa!

Meu nome é pseudochurros. Sou doce por dentro e cascudo por fora. Se me morder, ganha um líquido viscoso na língua.

Meu nome é Tupac De Natinhola. Penso que sei, mas não sei. Boa noite, canto naquele bar vazio. Boa noite, boa noite.

Meu nome é Jesus. Caminho na praia, bebo vinho e quero morrer pregado na cruz.



Escrito por cristiano às 00h07
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Samba, suor e cerveja

O ex-jogador Sócrates terminava de treinar, acendia um cigarro e ia tomar chope.

Um dia perguntaram se ele não tinha medo de ficar com fama de indisciplinado e coisa e tal.

Ele cantarolou aquele velho som eternizado por Elizeth Cardoso:

"eu bebo sim, estou vivendo... tem gente que não bebe, está morrendo..."

Este samba foi composto por Luiz Antonio e João do Violão. Elizeth Cardoso gravou em 73. Depois, até as Velhas Virgens cantaram. 

Histórias do nosso futebol. E por falar em futebol, não deixe de ler a coluna Golaço na Internet.

O endereço é http://kockvitta.blogspot.com

"Eu bebo pra ficar ruim. Se fosse pra ficar ficar bom, eu tomava remédio" - Nelson Cavaquinho

 

 



Escrito por cristiano às 00h14
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NOVO BLOG! E NÃO TEM PORRALOUQUICE!

Após muita masturbação mental, preguiça e luta intensa contra a tendência a falar sobre esportes só na mesa de bar, finalmente assumi um BLOG DE ESPORTES! Ou quase isso. É o GOLAÇO! O nome é inspirado na minha coluna domingueira do Jornal de Limeira. Se quiser ficar com raiva ou concordar, não deixe de ler as previsões da bola de cristal furada do alter ego do banzeiro.

VIVA O ESPORTE! VIVA A TELEVISÃO! VIVA O SANTOS! ABAIXO A ARBITRAGEM BRASILEIRA!

O ENDEREÇO É http://kockvitta.blogspot.com/ 

NÃO DEIXE DE DAR O SEU PALPITE!

com isso eu encerro a mania de comentar sobre futebol neste blog. Obrigado a todos.



Escrito por cristiano às 16h38
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