Bebamos ao desencontro misterioso, porém unificador.
Percebo que atingi um nível de equilíbrio muito bom. Não mais me destroço em laconismos etílicos na solidão da madrugada. Isto é o que classifico de serenidade ocidental. Um dos passos que já previ para o enigmático ocaso da carne e a necessária ascensão do espírito.
“Sou mais que santo pois não sou ordenança de nenhum deus”.
(João Gilberto Noll – A Fúria do Corpo)
Vejo meu deus esmigalhado.
“A alma emigra do corpo (nos sonhos)”.
(Ernesto Sábato – Meus fantasmas)
Ler só serve para aliviar a incompletude. Admiro as mulheres fortes. Elas são completas, mas se compartimentalizam para preservar os sonhos pueris dos homens.
“Sê sábia, minha Dor, e mantém-se quieta!”
(As Flores do Mal – Charles Baudelaire)
A temperança me enerva, mas só pode fazer com que meus sonhos não sejam dizimados pela amargura.
“Foi um grande alívio o fato de não ter havido explosões, reproches: somente um silêncio polido de quem finge ignorar...”
(Contraponto – Aldous Huxley)
Lembro-me de recitar trecho de Provérbios muitas vezes na igreja. “A resposta branda desvia o furor, mas a dura suscita a ira”, pelo que me vem agora, à cabeça. Adulto, fiz tudo ao contrário. E, confesso, me dei mal.
Eu confio em mim para algumas coisas. Sabia que tinha anotado algo importante de Balzac.
Leia:
“...o tempo é o mais precioso capital das pessoas que só têm a inteligência por fortuna”.
(As ilusões perdidas).
Se me acho inteligente? Claro! Se não do que adiantaria perder-me em devaneios?
Tecnicamente, não me lembro mais das nomenclaturas melódicas, por assim dizer. Mas gostei desde o início de Chopin. Por que motivo digo isso? Para louvar, ainda que sem efeito, a obra. No começo, era muito Beethoven. Depois Mozart. E os hinos sacros. Mas aprendi a ter preferências. Principalmente depois da leitura de Jean-Christhophe. Michael Jackson veio após eu aprender os primeiros passos do break, lá pelos idos de 1983. Foi importante porque me apresentou a diversão em meio à disciplina religiosa. A música clássica, porém, me remete às catacumbas do espírito. É onde me dou melhor.
Houve um tempo em que ouvi muito Bach em conluio com a literatura de Sartre. Um estrago. Um tão-só no mundo. Graças a isso, sei do que sou feito. Só o fracasso me constrói. Ah, como era bom não ter dinheiro nem vícios fomentados pela necessidade de fazer parte de alguma coisa!
Sobre Sartre, conversei muito com um bom amigo, o André Montanhér. A Náusea também lhe deixou algumas impressões profundas sobre vida e sociedade. Sobre as outras obras de Sartre, não me recordo muito bem das análises feitas com alguma ruminância nas mesas de bares. A inquietação, porém, sempre esteve presente. Na última conversa que tivemos, André me falou sobre Lênin, rapidamente. No momento, não me sinto inclinado a destrinçar este símbolo da revolução antiburocrática. Deu-se, após sua morte, o rompimento da reflexão profundamente marxista e a instalação da tecnocracia que prevaleceu nos espaços mujiques com muito sangue, para desespero dos verdadeiros revolucionários. Que o diga Trotsky.
Sartre chegou a abordar algumas nuances do desgaste pós-guerra, num mundo político ainda impregnado pela fantasia stalinista, mas muito mais do que pontualidade filosófica, ele deixou fluir a subjetividade como estímulo da ação. Transcendência para nós, pobres mortais, beberem com avidez. Hoje, andam execrando-o. Não sei direito. Tenho perdido tempo lendo jornais.
Ainda pretendo ler com dedicação O ser e o nada, comprado a duras penas. Por ora, sondemos outras pradarias. Optei pelo caminho de me integrar ao grosso da massa e me dei mal. Não porque fosse pérola, mas justamente porque me falta algo que não consigo identificar. Ou seja, a incompletude – talvez fantasiosa - me alijou da serenidade do pragmatismo, tão necessário para a alegria de compartilhar bens simbólicos da produção cultural. Ou pretensamente cultural.
Pena que eu não tenha dinheiro para uma vagabundice produtiva ou estofo para interpretar com propriedade as obras que me tornam mais reflexivo. Resta a intuição. Isso, ninguém me tira. Mas, reconheço, é pouco. Assim, duramente, afigura-se a consciência de classe.
Poderia ter continuado a estudar violino? Logicamente. Há contigências, porém. Quem pode relativizar a cotidianidade tão sumariamente que torne a culpa um estímulo poderosíssimo capaz de suplantar as limitações? Deixemos as raízes do conflito para um dia ensolarado por Freud e Reich. Hoje, sou uma criança dominada pelos fantasmas religiosos e econômicos. Sou muito mais objeto de estudo de Jung.
Não me sinto plenamente amadurecido.
Não entendo muito bem o que querem dizer as pessoas que têm um ritmo mais racional dos desenlaces da vida.
Olho um copo com resto de cerveja e devaneio.
Penso em ter fé e ser bom, mas já não creio firmemente em humanidade.
Depois de tenebrosas análises e constatações, estava sedento por um momento de tranqüilidade no qual o pensamento pudesse fluir sem as costumeiras amarras. Ansiava pelo método de relaxamento que desenvolvi a partir de leituras de Wilhelm Reich, entendidas melhor ainda por meio das explicações do psicanalista italiano Federico Navarro e tornadas mais lúdicas pelo escritor Roberto Freire. Antes mesmo de o saber, pratiquei capoeira (arte marcial brasileira por excelência) com o intuito de romper couraças. A capoeira também é considerada terapia que integra e reduz a tensão. Portanto, pode muito bem fazer parte do tratamento soma.
Há alguns anos deixei de lado todas estas reflexões, após ser engolido pelo lado mais frio da cotidianidade. Muita coisa pode se tornar alienação e opressão mesmo quando tem a aparência positiva.
Mesmo sendo praticamente um autodidata – bem que tentei cursar Psicologia na faculdade, mas o sonho só durou alguns meses – tenho subsídios para pensar em alternativas para o ritmo que consideram normal para a vida em sociedade.
Não me rotulo como sendo um pseudointelectual porque tento muito entender o que se passa a minha volta. Talvez o fosse se o medo de conhecer suplantasse a vontade de viver. Agradeço muito a escritores abnegados, que renunciaram à glória e à fama para publicar interpretações corajosas – e sinceras, acima de tudo – sobre as relações humanas. Se não fosse pelos livros, eu já teria cortado os pulsos.
Por isso, neste domingo ensolarado, fiz uma poesia para louvar os raios luminosos da bonança.
Receita só para mim
Arruda, guiné. Recordações
de Luísa. Banho, fé.
A bênção se materializa
no abraço de minha avó.
Capoeira, samba. Vivo inteligentemente
na corda bamba.
“Na minha casa todo mundo é bamba,
todo mundo bebe, todo mundo samba”.
Me banhei com a voz da minha musa
atravessando a lembrança.
Voltei a me enrolar na alvura do lençol
na penumbra do quarto recém-amanhecido.
Dormi novamente no alvorecer e sonhei com Nélida Piñon, cujo
retrato me inspirou tanto quanto a escrita.
Ajuntei os últimos centavos.
Comprei vinho, cerveja e conhaque.
Bebo e, agora, escrevo como se não devesse nada a ninguém.
Os raios do sol são camurça pele da mulher que quero tocar,
mulher de olhos felinos
que despertam meu drible adormecido. Sou grama, mato queimado,
Confirmou-se o que era apenas percepção. Depois de tanto tempo, quase todo perdido. “E a essa hora estou idiota demais pra conferir minha carteira, não sobrou um centavo (Tristessa, Jack Kerouac)". Mas não restou só a carteira vazia. Restaram hematomas. E a solidão.
Estou lavando o copo na pia do banheiro. Água e vinho parecem sangue.
De certa forma sangro.
Tenho certeza de que nunca fui de briga. Não porque fosse fraco. Mas trocar pancadas sempre me foi muito desgastante, muito tedioso.
Eu apanhava e achava tudo um saco. Não por autopiedade ou medo. Mas porque dava um trabalho danado se recuperar, juntar-se, superar todos os complexos depois da surra.
Não culpo ninguém, não tenho saco pra isso.
Mas parece uma maldição.
A primeira surra da qual me lembro claramente foi aos seis anos.
Meu pai me disse, após um discussão qualquer:
_ Tira essas mãos da cintura, mulherzinha!
Eu tinha mania de ficar bravo e colocar as mãos na cintura, igual minha mãe.
Depois que tomei um pau disciplinador, parei com essa prática meio gay.
Vez ou outra ainda ouço alguém dizendo dentro de casa que a falta de mulher (namorada fixa) evidencia minha condição de boiola.
Não dou mais risada disso. Lamento que seja tudo tão raso.
Melhor seria dizer que só transo quando pago. Ou seja, sou um fracasso como conquistador.
Mas é mais fácil relativizar. Dessa briga corro rápido. Deixem-me em paz, grito em silêncio.
Seria mais macho se fosse realmente gay nesta família cristã-fascista.
Mas sou apenas um rapaz comum, tímido e covarde.
Constato que só me restam as personagens estilo Marisa Tomei em “O Lutador”. Se não fosse por algums conselhos das mulheres do submundo, eu seria um romântico inveterado. Aí perderia a briga para a realidade.
Tão novo, tão fudido.
Reclamo de barriga cheia. Tenho, pelo menos, dinheiro para gastar com livros, minha motocicleta detonada, bebidas. Nada de status.
Um marginal sem glamour. Misantropo forçado.
Mas tive meus amores verdadeiros. Poucos, sim. Mas relevantes lembranças.
Quando entorpecido pela cachaça, voam sobre minha cabeça como anjos pacificadores. Ainda me resta essa paz da semifantasia.
Depois da última surra me lembrei que nunca fugi de porrada. Me senti orgulhoso. Mas veio também a consciência.
Falta de assimilação. De racionalidade.
Se eu tivesse aprendido a ter jogo de cintura seria bem melhor.
Só agora aprendi a gostar das boas coisas da burguesia.
Mas aos 34 anos, como construir riqueza? Com tantos vícios?
Espero, ao menos, viver o bastante para aprender a tocar guitarra. Bela ambição, hein? Bela ambição.
Onde dormi, onde comi e bebi não importa. Ninguém se importa. O importante é que hoje estou dormindo em uma cama com colchão. Nunca mais quero acordar no chão frio de cimento com um bando de desconhecidos chapados e egoístas. Depois cortar quilômetros tropeçando até chegar em casa. Péssimo. Sujo, fedendo, cabelo ensebado, respirando com dificuldade, cheio de angústia e remorso.
Cansei de apanhar.
A primeira surra que tomei foi aos seis anos.
Disciplina.
Passei a bater continência para a Polícia Militar.
Meu pai achava que era o começo do respeito essencial pelas autoridades.
Patético.
Depois aprendi a brigar na escola.
Muitos paus.
Nunca freqüentei academia. Meu pai me ensinava em casa.
Guarda fechada, raiva racionalizada, pontos fracos do adversário.
Aprendi a ser cruel. A molecada na rua contribuiu pra cacete.
Por isso entendi plenamente quando os marginais que me assaltaram chutaram minha cabeça. Eu teria feito o mesmo.
É uma questão de vingança.
Mas não sou assim. Não gosto de brigar. Me sinto mal, vomito, choro. Agredir alguém me fez menor.
Constantemente, porém, sou desafiado.
Já troquei muito soco com muito canalha sem pensar em consequências. Olho roxo, nariz quebrado, joelho ralado, braços marcados. Comprei muita briga. Em clube, na rua, na escola. Defendia meus amigos.
_ O Da Lua é ponta firme!
Eu partia pra cima. Autodestrutivo, intuitivo, desafiador. Queria descobrir no que sujeito mais forte poderia me superar. Um eterno teste macabro.
Os anos passaram.
Gosto de resistir à vontade de dar porrada. Quando me domino, me sinto mais humano. Me liberto.
Quiseram me ensinar a ser selvagem, mas insisto na civilidade.
Voltando para casa, depois de ter tomado várias brejas, cansado e com sono, deparo-me com dois sujeitos filhos da puta.
Era pouco mais de meia noite.
O mais velho tinha o olhar frio de uma hiena. Devia ter uns 20 anos, no máximo.
O mais novo devia ter uns 17. Esse, um verdadeiro demônio.
_ Aí, vai passando a grana aí.
_ Pô cara, tô sem nada...
O mais novo enfiou a mão por debaixo da blusa.
_ Vô mandá bala no seu peito, maluco. Tô armado, tô armado. Passa a grana, maluco!
_ Tá armado nada, para com isso, meu irmão!
Empurrei o moleque e já ia acelerando o passo quando levei um soco na cabeça. Virei e o mais novo também mandou uma pancada no meu queixo.
_ Cara, não precisa disso, porra!
E parti pra cima do mais novo. Só consegui acertar um soco. O covardinho mais velho acertou um chute nas costas que me fez arquear.
_ Tá bom, tá bom, caralho. Eu dou a grana.
Nem terminei a frase direito, o desgraçado acertou uma violenta porrada no lado direito do meu rosto. O outro emendou um chute no joelho.
Tentei argumentar.
_ Eu vou dar o dinheiro, porra!
Tirei quinze mangos de um dos bolsos.
_ Tem mais aí, eu sei, seu bosta.
Me deu uma vontade de enfiar uma porrada na cara morfética do bandidinho, mas eu sabia que só iria piorarsituação. Faltava reflexo, disposição para a briga.
_ Não tenho mais nada, meu irmão.
_ Não tem o caralho! E o mais novo veio na voadora.
Me derrubou e aí tomei pancada a torto e a direito na cabeça. Mesmo assim, levantei cheio de raiva e novamente parti pra cima do mais velho, que foi se afastando com rapidez.
O bandido menor veio por trás e pegou os meus óculos. Filho da puta! Praticamente cego, virei alvo fácil. Fazia tempo que não tomava tanto soco na cara.
_ Dá a grana aí!
_ Pega, então, caralho!
Levantei as mãos e o mais novo vasculhou os bolsos. Encontrou mais 35 pilas, a chave da moto, uma aspirina, celular, uma camisinha, cigarro, isqueiro e umas moedas.
_ Essa chave aqui é do quê, hein?
_ Cara, pelo amor de Deus, pra você não serve, dá a chave pra mim. Não vai ter serventia pra você, meu irmão.
_ Quero que se foda, vou ficar com ela e com seus óculos.
_ Porra, cara, não faz isso, por favor! Dá meus óculos, pelo menos. Eu imploro, cara, porra, cara, por favor!
_ Cadê a carteira?
_ Eu não uso carteira, não.
_ Não usa porra nenhuma! Dá a carteira aí.
_ Não tenho, porra!
_ Abaixa a bermuda aí, quero ver se não tá escondida no saco.
Abaixei a bermuda.
_ Tá vendo, não tenho carteira, meu irmão.
_ Foda-se vamo levar os óculos e as chaves.
Os caras já estavam indo embora quando dei um último berro.
_ Peraí, eu dou mais grana!
Voltaram correndo.
_ Cadê o dinheiro?
_ Acho que ta aqui no bolso de trás peraí, peraí.
Segundos intermináveis.
_ Puta que pariu, acho que vocês já pegaram. Dá meus óculos, por favor, meu irmão!
_ Caralho, vai se foder, toma essas porras!
E o mais velho dos assaltantes jogou chave e óculos no meio da rua. A chave eu achei, mas os óculos foram achados pelo meu amigo Moisés, que estava uns três quarteirões à frente, fechando seu trailer.
Acordei com dores em todas as regiões do corpo. Principalmente no maxilar.
Do disco novo do Eminem gosto particularmente do som Must Best The Ganja, mas as pegadas Beautiful e Underground são as mais originais, já que mostram com franqueza a evolução do cara no que se refere a reptar harmonicamente a cotidianidade. O lance de fazer mexer, conduzir o pescoço à frente e para baixo continua proeminentemente marca registrada e importante. Lógico, temos que curtir numa boa o poema sincopado. Parado ou não, ouvindo, mas acompanhando hipnoticamente o desenlace. Estilo cenho franzido com um verniz de metal muito interessante, dinâmico, a força da rima traduzindo estados de espírito sem soar artificial. O final tem ritmo chapante como conversa aberta, fluidez rebelde e sintonizada. Mas o melhor mesmo é We Mad You. Pô, o cara perdeu as estribeiras positivamente. Este som é uma espécie de chiste melódico. Extraordinário dentro do rap. Mas o Melhor som é, inegavelmente, Stay Wide Awake porque bota pra foder, como tem que ser. Desde o início dos tempos.
Saia de mim, saia porra, bosta e espírito de porco!
Andei vomitando Kafka. No meio da rua. Ficou aquela gosma cheia de letrinhas embaralhadas atrapalhando os cidadãos civilizados que queriam andar naquela bela calçada esquadrinhada para o consumo rápido e seguro.
Olharam para mim com nojo, asco e sei lá mais o quê. Acho que queriam me matar ou que eu sumisse.
De vez em quando eu sinto falta de expelir algumas porcarias deste nível. Outro dia, num acesso furioso de diarréia, borrei a cueca com charles bukowski. Quem viu a mancha na minha bunda, ficou indignado.
_ Que pouca vergonha!
Um amigo me aconselhou a procurar um médico.
Antes que o fizesse, mijei Roberto Piva na perna de uma patricinha empetecada, porém gostosa. A urina quente arrepiou-lhe os pelinhos descoloridos do braço.
_ Você é louco?
É o corpo, porra! Não tenho culpa. Peguei algum vírus moderno que anda me forçando expelir tudo aquilo que me sustentou espiritualmente até hoje. A coisa sai em qualquer lugar, a qualquer hora.
Ninguém entende. Querem que eu me esconda até sarar. Ou que evite pensar em outra coisa que não a vida prática.
Mas toda vez que penso em vida prática, choro Álvares de Azevedo e espirro um pouco de Revista Mad.
Se o mundo é uma merda, banhemo-nos no sarcasmo. Tem gente que tem aptidão para enxergar a realidade do jeito que mais lhe agrada. Eu não consigo. Vejo só um amontoado de insetos feitos de carne tentando se exibir uns para os outros.
Mas há desculpa para os insetos que têm corpos apetitosos
Eu comeria Halle Berry todo santo dia tendo a cantoria de Susan Boyle por música de fundo e a Sthefany Brito de estepe, aninhada ao pé da cama. Quando Halle saísse pra comprar cerveja, chamaria a namoradinha do Pato pra dar o cu. Eu a sodomizaria ao mesmo tempo que o vídeo tivesse exibindo o clipe My name is Gretchen. A Débora Secco eu dispensaria, pois casar com um sujeito intragável e enganador como o Roger é coisa de vagabunda descerebrada. Mas deixaria a Adriane Galisteu chupar meu pau.
Leia a matéria, mas não embarque muito na onda de quem escreveu porque está nítido que o repórter tentou preservar a confraria da OAB.
Tem repórter que caga de medo de advogado e vice-versa.
Na verdade, são dois tipinhos filhos da puta. E por falar em puta, vamos à história. A matéria nos traz o caso
de uma advogada que traficava cocaína (e se traficava, é porque gostava da branca) e deve ter chupado o pau
de muito promotor e de advogado, quando estava alucinada.
Há males que vêm para bem. A putinha cheiradora pode ser responsável pela melhoria da qualidade de vida dos presos de Alagoas, terra dos Collor de Melo e dos Malta.
Advogada ganha frigobar na prisão, e OAB quer também ar-condicionado
Uma advogada acusada de corrupção e tráfico de drogas ganhou na Justiça de Alagoas o direito de ter um frigobar dentro da cela do presídio Santa Luzia, onde está presa desde setembro de 2008, em Maceió.
A permissão foi dada pelo juiz da Vara de Execuções Penais, Ricardo Jorge. Segundo o magistrado, que assinou a autorização no último dia 23, Mary Any Vieira Alves tem direito ao frigobar por ter formação de nível superior especial. "Ela está presa há mais de seis meses e não há impedimento para a entrada de um frigobar na cela", afirmou.
A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Alagoas afirma que os advogados têm direito a vantagens em relação aos presos de outros cursos superiores. Por isso, solicitou ainda que a direção do presídio fizesse uma adaptação que garanta a instalação de um ar-condicionado no local onde ela está presa, que será doado pela própria entidade.
"O Estatuto da OAB garante a ela uma sala de estado maior, que inclusive não pode ter grades. Nós solicitamos à direção do presídio Santa Luzia que fosse feita um buraco para a instalação um ar-condicionado. Nós vamos doar o aparelho", disse o presidente da OAB-AL, Omar Coelho. Para ele, é necessário também a "colocação de uma mesa para que ela continue exercendo suas atividades".
Na última quarta-feira (26) a advogada teve um pedido de habeas corpus negado pelo Tribunal de Justiça de Alagoas. Ela chegou a ter o registro profissional suspenso por 90 dias, mas o caso ainda está sob análise da OAB.
Procurada pelo UOL Notícias, a gerente-geral do presídio, Margarida Maria da Silva, informou que não tinha autorização para falar à imprensa.
"Frigobar para todos os presos"
Jarbas Souza, presidente do Sindapen (Sindicato dos Agentes Penitenciários), afirma que a decisão revoltou os demais presos. Por isso, o sindicato pretende iniciar uma campanha inusitada. "Vamos fazer campanha agora para que todos os detentos tenham frigobar na cela. O cidadão tem que ter direitos iguais", disse. Segundo ele, "existe um decreto estadual, de fevereiro de 2000, no qual não constam essas regalias".
O juiz Ricardo Jorge confirmou a existência do decreto, mas alega que a determinação não atinge o caso de Mary Any. "Existe de fato um decreto estadual que não autoriza a entrada de televisão e aparelhos nos presídios. Mas isso não serve para presos especiais", assegurou o magistrado.
Mesmo doando o aparelho, o presidente da Ordem também afirma que gostaria de ver todas as regalias em presídios e em foros acabarem no país. "Pessoalmente, sou contra qualquer tipo de regalia, mas enquanto estiver na lei, vou fazer o quê?"
Há pouco mais de um mês, a OAB-AL denunciou problemas no sistema prisional de Alagoas, inclusive com "regalias fora da lei". Um relatório entregue ao Ministério Público, em abril, aponta que presos seriam colocados em celas de seis metros quadrados para serem torturados e só seriam libertados após o pagamento de propinas a diretores.
Especialista diz que estatuto não prevê regalias
Especialista em direito constitucional, o advogado César Galvão alerta que é preciso bom senso para interpretar o que diz o estatuto da OAB, questionando a necessidade da instalação de ar-condicionado e frigobar na cela onde está Mary Any. "Isso foge ao entendimento do que é 'uma prisão em condições de higiene e segurança adequadas', como consta no estatuto", acredita.
Galvão explica que cabe ao judiciário inspecionar a adoção dos benefícios concedidos a advogados presos, e não à OAB decidir se o estatuto está sendo cumprido. "O STF [Supremo Tribunal Federal] julgou constitucional o direito aos advogados previstos no estatuto da OAB, mas com exceção da expressão 'assim reconhecida pela OAB'. Ou seja, quem tem que vistoriar é o poder judiciário", explicou.
Ainda segundo o advogado, o benefício só vale até o momento da condenação. "Tanto a prisão especial e domiciliar, como a garantida pelo estatuto da Ordem, só são válidas durante o trâmite da ação penal. Ou seja, até a posterior condenação com trânsito em julgado. A exceção é para o agente penitenciário, que permanece com essa prerrogativa durante toda a execução da pena", explicou.
Para o especialista, "a prisão especial não deveria ser definida pelo simples fato de ser portador de diploma, mas sim certas funções que lidam diretamente com o crime, como um promotor e o próprio advogado. Tanto que a discussão chegou ao Senado, que aprovou o fim dessas regalias."
De fato, o Senado decidiu pelo fim das prisões especiais no país. No último dia 1° de abril, um projeto de lei foi aprovado no plenário e agora espera a votação da Câmara e a sanção do presidente Lula para se tornar lei. A proposta retira os benefícios das pessoas formadas em cursos superiores e de ministros, governadores, deputados, prefeitos e vereadores, que passariam a ficar em celas normais.