Saia de mim, saia porra, bosta e espírito de porco!
Andei vomitando Kafka. No meio da rua. Ficou aquela gosma cheia de letrinhas embaralhadas atrapalhando os cidadãos civilizados que queriam andar naquela bela calçada esquadrinhada para o consumo rápido e seguro. Olharam para mim com nojo, asco e sei lá mais o quê. Acho que queriam me matar ou que eu sumisse. De vez em quando eu sinto falta de expelir algumas porcarias deste nível. Outro dia, num acesso furioso de diarréia, borrei a cueca com charles bukowski. Quem viu a mancha na minha bunda, ficou indignado. _ Que pouca vergonha! Um amigo me aconselhou a procurar um médico. Antes que o fizesse, mijei Roberto Piva na perna de uma patricinha empetecada, porém gostosa. A urina quente arrepiou-lhe os pelinhos descoloridos do braço. _ Você é louco? É o corpo, porra! Não tenho culpa. Peguei algum vírus moderno que anda me forçando expelir tudo aquilo que me sustentou espiritualmente até hoje. A coisa sai em qualquer lugar, a qualquer hora. Ninguém entende. Querem que eu me esconda até sarar. Ou que evite pensar em outra coisa que não a vida prática. Mas toda vez que penso em vida prática, choro Álvares de Azevedo e espirro um pouco de Revista Mad. Caso perdido.
Escrito por cristiano às 13h55
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