Rap da cidade podre
“Me fala, me fala, por que tem que ser assim?” (Consciência Humana) Há um fascista em cada esquina. Juntos, conseguem montar impérios de canalhice e lucratividade porque não há pobre no mundo capaz de mentir tão deslavadamente como estes gananciosos amantes de si mesmos, ególatras hipócritas que pregam Cristo de dia e chafurdam no esperma do diabo à noite. Renascem presunçosos da flatulência da burguesia industrial desta cidade que já fedeu bagaço de laranja, bagaço de cana umedecido com lágrimas de boia-fria considerado desgraçado irremediável e descartável pelos safardanas que controlam usinas fundadas sob a doutrina da exploração, e hoje é malcheirosa como mistura química que lava as joias fajutas criadas no estalar dos chicotes de capitães do mato que abastecem o mercado da farinha a mando das figuras plastificadas escondidas na sombra da lei cujo intento é legitimar através da propaganda vulgar recitada por ventríloquos empedernidos o controle do curral eleitoral das oligarquias patronais berços dos maiores puxa-sacos de que se tem notícia no mundo ocidental. Renascem cada vez mais sanguinolentos os provincianos fiscais da SS, burlescos declamadores de frases feitas, representantes da elite secularmente desavergonhada, dos empresários cujas manobras escusas remontam tempos de chicote e bombas, dos novos ricos arbitrários que cultivaram a mentira de bastidores arrastando como um rabo demoníaco e intragável uma súcia de falastrões chicaneiros que preenchem páginas em branco como se registrassem notas advindas do suor honrado dos verdadeiros poetas da vida, que nunca desistem, que nunca se dobram a preconceitos nem ostentam uma falaciosa rapidez de raciocínio como beronhas barulhentas sofismáticas e fedendo feito bodes viciados em espelhos que digerem qualquer sobra de vômito pseudointelectual para transformá-la em vagidos charlatães porque estes não são mais que infelizes conclusões pueris sobre o modo de vida de quem os escroques não conhecem e nunca vão conhecer porque escroques não passam de rábulas a serviço dos mandachuvas que só pensam em comprar, foder piranhas jezabéis concubinas de Baal, cheirar, beber uísque importado, dar o cu, mentir descaradamente para mulher e filhos, enganar amigos, fazer sofrer, pisotear o respeito e defender a suástica da hipocrisia monetária. Solenes e de dedo em riste os adoradores de Hitler vociferam, empertigados, impropérios contra o trabalhador rural, contra o pobre engajado, contra o miserável cuja interpretação ideológica da realidade supera em muito o seu conhecimento parco, rasgado e maltrapilho adquirido nos manuais técnicos de qualquer merda de curso verborréico desta era de perebas tecnocráticas. Fascistas das palavras fáceis. Pontos de referência para a mídia, doutores da lei para os partidos políticos. A arcada dentária do apresentador de tevê é do tamanho de sua ganância. Ele se move como serpente, mastiga e baba como um aspirador de pó. É o pitbull do empresário cretino, do especulador, do vagabundo eleito empreendedor por uma legião de sonâmbulos que vegetam sob leis criadas para massacrar o espírito humano, mas não conseguem despertar porque vivem entre a cruz e a espada e não sabem se vendem a alma ou a negociam por preço justo, oprimidos pelo desejo irrefreável de consumo e de bajulação, transtornados pelos achaques dos ranzinzas, dos invejosos, dos esperançosos, das gentes que rodeiam como mariposas iludidas as esferas teoricamente ocupadas por neuróticos cagadores de ordens para a sociedade e para o mundo, se puderem ter este alcance. Fodam-se todos os fascistas desta cidade nascida sob a égide da escravatura, dos fazendeiros imorais e de suas aventuras sexuais horrendas. Fodam-se os empresários mesquinhos e pedófilos que amaldiçoam as casas de conchita com seu fartum turbinado por charutos, remédios contra disfunção erétil e bebidas que custam mais do que a vida do funcionário que eles humilham todos os dias. Fodam-se os políticos que chupam o pau mole um do outro, enfiam os dedos tatuados pela corrupção nas bucetas decrépitas de suas companheiras pervertidas cujo discurso libidinoso faz escorrer o líquido que lubrifica a sanha pelo dinheiro que nunca chega à periferia, nunca melhora o hospital, nunca melhora o transporte urbano, nunca evita o desemprego, nunca traz ética, nunca financia a transformação da sociedade.
Escrito por cristiano às 17h23
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|